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Dr. João Pedro – Neurologista em Aracaju – SE

O que é a Doença de Alzheimer?

Alzheimer

A Doença de Alzheimer (DA) é uma condição envolta por dúvidas e receio de grande parte da população. Importante iniciarmos desmistificando um fato importante: demência e Doença de Alzheimer não são a mesma coisa.

Demência é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas. Representa um declínio progressivo de funções cognitivas – como memória, linguagem, raciocínio e orientação – grave o suficiente para atrapalhar as atividades do dia a dia.

Já a Doença de Alzheimer é a causa mais frequente dessa síndrome, respondendo por cerca de 60% de todos os casos de demência no mundo. Existem outras causas (demência vascular, por corpos de Lewy, frontotemporal etc), porém o Alzheimer é,  disparado, a mais comum a partir dos 65 anos. Em resumo, toda Doença de Alzheimer é uma demência, porém nem toda demência é Doença de Alzheimer.

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No cérebro de quem tem Alzheimer acontece um processo silencioso e progressivo: duas proteínas passam a se acumular de forma anormal — a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e a proteína tau, que forma emaranhados dentro deles. Esse acúmulo desorganiza a comunicação entre as células, leva à morte de neurônios e faz o cérebro encolher progressivamente, começando por regiões ligadas à memória, como o hipocampo.

Um detalhe interessante é que as alterações no cérebro começam 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas. Existe uma longa fase “pré-clínica”, em que a doença já está instalada silenciosamente, seguida por uma fase sintomática que costuma durar de 7 a 12 anos. É por isso que a ciência hoje se dedica tanto ao diagnóstico precoce.

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Nesse contexto, Alzheimer não é “coisa da idade”. Envelhecer traz mudanças naturais na memória, mas o Alzheimer é uma doença — e, como toda doença, merece avaliação, diagnóstico e tratamento adequados.

Existem mais de 55 milhões de pessoas no mundo que convivem com algum tipo de demência, e a projeção é que esse total triplique até 2050 com o envelhecimento da população.

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No Brasil, a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) estima que mais de 1,7 milhão de pessoas convivam com a doença, ocorrendo cerca de 100 mil novos casos por ano. A projeção é de 2,8 milhões de brasileiros afetados em 2030 e cerca de 5,5 milhões em 2050. Sabe-se que a idade é o principal fator de risco. Outro dado importante é que a frequência da doença dobra a cada cinco anos após os 65 anos: gira em torno de 2% a 3% aos 65 e pode chegar a 40% dos idosos acima dos 85 a 90 anos.

Qual é o médico que trata Alzheimer?

O neurologista é o médico capacitado para tratamento de Doença de Alzheimer e outras demências.

O Dr. João Pedro é médico neurologista e trata pacientes com demência em Aracaju e Lagarto. Possui residência em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE) e é membro efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Para agendar uma consulta com um especialista, é importante saber sobre as opiniões de outros pacientes que já tiveram uma experiência prévia com o profissional. Nesse contexto, o Dr. João possui mais de 200 avaliações nota máxima no Google, como alguns exemplos abaixo:

Estou ficando esquecido, isso quer dizer que tenho Alzheimer?

Um dos grandes questionamentos no consultório gira em torno de saber o quanto esquecer é normal e quando é necessário se preocupar. É importante salientar que nem todo esquecimento é doença, porém alguns padrões merecem investigação.

Esquecer é humano. Cansaço, estresse, ansiedade, noites mal dormidas, dor crônica, alguns medicamentos e a própria idade deixam o cérebro mais “lento” e distraído. Lembrar de tudo o que acontece ao nosso redor gera uma sobrecarga desnecessária, por isso esquecer faz parte de um processo fisiológico até certo ponto.

A grande questão é entender que no envelhecimento normal o esquecimento é ocasional e não compromete a autonomia, enquanto na demência, ele é progressivo, consistente e começa a atrapalhar o cotidiano.

É relativamente comum e esperado esquecer um nome ou palavra e lembrar depois, entrar num cômodo e esquecer por um instante o motivo, perder as chaves ou os óculos de vez em quando, precisar de uma anotação ocasional para não esquecer um compromisso ou ficar em dúvida sobre o dia da semana e logo se situar. Nada disso, isoladamente, é motivo de alarme.

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Por outro lado, devemos ficar atentos particularmente quando a pessoa começa a seguir o seguinte padrão:

  • Repetir a mesma pergunta em poucos minutos, sem perceber
  • Esquecer informações recém-aprendidas
  • Depender cada vez mais de outras pessoas; perder-se em lugares conhecidos, até dentro de casa
  • Ter dificuldade com tarefas antes automáticas, como cozinhar ou pagar contas
  • Dificuldade em encontrar palavras, deixando a conversa “travada

Além da memória, existem outros sinais de alerta importantes, muitos deles descritos como avisos precoces:

  • Desorientação no tempo e no espaço — confundir datas, estações do ano, ou não saber como chegou a um lugar.
  • Dificuldade de planejamento e julgamento — errar em decisões financeiras, cair em golpes com facilidade, negligenciar contas ou a própria higiene.
  • Mudanças de humor e personalidade — apatia, isolamento social, irritabilidade ou desânimo que fogem do habitual.

Um ponto delicado: é comum a própria pessoa não perceber as próprias falhas — um fenômeno chamado anosognosia. Por isso, muitas vezes são a família e os amigos que notam primeiro. O paciente que chega dizendo “não sei por que estou aqui” pode merecer mais atenção do que aquele que se queixa muito da memória.

Vale reforçar que existem algumas causas reversíveis de esquecimentos/demências, que podem melhorar com seus respectivos tratamentos, são elas:

  • Transtornos psiquiátricos (depressão, ansiedade)
  • Síndrome de apneia do sono
  • Hipotireoidismo
  • Deficiência de vitamina B12
  • Efeito de certos remédios
  • Abuso de álcool/drogas

A regra prática é simples: quando a falha de memória passa a interferir na rotina, na autonomia ou na segurança — e é notada de forma consistente por quem convive com a pessoa —, é hora de procurar um neurologista. Quanto mais cedo, melhor.

Como é feito o diagnóstico da Doença de Alzheimer?

Não existe um único exame que “dê positivo” para Alzheimer. O diagnóstico é, antes de tudo, clínico — construído pelo neurologista a partir de uma história detalhada e de uma avaliação cuidadosa. Os exames complementares ajudam a confirmar, classificar e, principalmente, a afastar outras causas.

A conversa é o exame mais importante

Tudo começa com uma anamnese minuciosa: o que acontece, desde quando, como evoluiu, o que atrapalha no dia a dia. Sempre que possível, um familiar ou acompanhante que convive com o paciente deve participar da consulta — a visão de quem está por perto é insubstituível, sobretudo porque o paciente nem sempre percebe as próprias dificuldades.

O neurologista aplica testes de rastreio cognitivo, como o Miniexame do Estado Mental (MEEM) e a Avaliação Cognitiva de Montreal (MoCA), além de questionários respondidos por um informante confiável. Esses instrumentos precisam ser interpretados considerando a escolaridade, a cultura e a língua da pessoa — um ponto em que a experiência do especialista faz toda a diferença, evitando tanto o subdiagnóstico quanto o diagnóstico apressado. Quando necessário, a avaliação neuropsicológica aprofunda esse mapeamento.

Exames de sangue e de imagem

Os exames laboratoriais servem para descartar causas tratáveis, como alterações da tireoide, deficiência de vitamina B12 e distúrbios metabólicos, e são obrigatórios em toda investigação de demência.

Em relação à neuroimagem, costuma-se realizar uma ressonância magnética de crânio visando analisar atrofias regionais ou sinais de outras condições neurológicas, como AVC, hidrocefalia, tumores dentre outras.

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No caso acima, temos o comparativo entre o cérebro de um paciente sem alterações (imagem A) e um cérebro de pessoa com Doença de Alzheimer (imagem B), demonstrando uma distinção bem evidente no tamanho das estruturas mesiais temporais. Nem sempre com DA apresentará esse grau de atrofia, existe formas mais amenas, especialmente nos estágios iniciais. Cabe reforçar que um exame individual não define a doença, sendo necessária uma avaliação neurológica completa para tal finalidade.

Avaliação de Biomarcadores

Representam o grupo de exames mais modernos e sofisticados. Esses exames são capazes de detectar as proteínas beta-amiloide e tau por meio do líquor, do PET cerebral e, mais recentemente, de exames de sangue. Permitem hoje confirmar a doença em vida, algo que antes só era possível pela análise do cérebro após o falecimento. Ainda não são amplamente disponíveis e devem ser usados em situações específicas, por profissionais especializados. Diagnosticar cedo importa: um diagnóstico precoce e preciso reduz a ansiedade da família, permite planejar o futuro com autonomia, abre acesso a tratamentos e a pesquisas clínicas e evita exames e consultas desnecessários. O acompanhamento ao longo do tempo — o chamado “teste do tempo” — é, ele próprio, uma ferramenta diagnóstica valiosa.

Tratamento: o que existe hoje

Ainda não há cura para o Alzheimer, entretanto a doença tem tratamento, o qual pode melhorar os sintomas e preservar por mais tempo a qualidade de vida e a dignidade da pessoa. E ele deve começar o mais cedo possível.

Agitação, ansiedade, apatia, alterações do sono e depressão são frequentes e muitas vezes mais angustiantes para a família do que a própria perda de memória. Um grupo de medicamentos frequentemente utilizados são inibidores de acetilcolinesterase, que não revertem a doença, porém estabilizam o quadro e adiam o declínio por volta de 9 a 12 meses. Esses medicamentos podem ser associados a antagonista do receptor NMDA quando em fases mais avançadas da doença. Efeitos colaterais gastrointestinais, como náusea e perda de apetite, são os mais comuns, e o ajuste da dose deve ser gradual. A escolha e o acompanhamento desses remédios exigem avaliação médica individualizada — cada caso é um caso.

Cabe destacar que a primeira abordagem é sempre não medicamentosa: entender o que desencadeia o comportamento, ajustar a rotina, o ambiente e a comunicação. Medicamentos existem e podem ser necessários, mas têm resposta menos previsível e efeitos colaterais, devendo ser reservados para quando as medidas de manejo não bastam. Nas fases muito avançadas, retirar com cuidado medicações que já não trazem benefício também é um ato médico responsável.

Os novos anticorpos anti-amiloide

Uma nova geração de tratamentos são os anticorpos monoclonais anti-amiloide, que foram aprovados recentemente para comprometimento cognitivo leve e para fase inicial. Eles removem o amiloide do cérebro e conseguem, pela primeira vez, desacelerar a progressão em cerca de 25% a 35%. Não são, porém, uma solução mágica: podem causar alterações na imagem cerebral (edema e microssangramentos, conhecidos como ARIA), exigem monitorização com ressonâncias periódicas, têm custo elevado e demandam infraestrutura especializada. São uma esperança, porém ainda pouco utilizados tendo em vista as dificuldade operacionais.

O cuidado multidisciplinar: o coração do tratamento

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O neurologista tem papel central no diagnóstico, na condução do tratamento e na coordenação do cuidado — mas os melhores resultados vêm de uma equipe trabalhando junto, cada um cobrindo uma dimensão da vida do paciente:

  • Neurologista — conduz o diagnóstico, o tratamento medicamentoso e a coordenação do cuidado ao longo da doença.
  • Neuropsicólogo(a) — avalia em detalhe as funções cognitivas e orienta a estimulação cognitiva.
  • Terapeuta ocupacional — adapta as atividades do dia a dia e a segurança do lar, preservando a autonomia.
  • Fisioterapeuta — trabalha mobilidade, equilíbrio e prevenção de quedas.
  • Fonoaudiólogo(a) — cuida da linguagem e da deglutição, fundamental quando surge dificuldade para engolir.
  • Nutricionista — garante nutrição e hidratação adequadas e adapta a dieta em cada fase.
  • Enfermagem — apoia a supervisão de medicações, a higiene e a organização do cuidado diário.
  • Psicólogo(a) e psiquiatra — acompanham humor e comportamento, do paciente e do cuidador.
  • Cuidador e família — o centro de tudo. Cuidar de quem cuida é parte essencial do tratamento.

Manter o paciente ativo é parte do tratamento: atividade física regular, estimulação cognitiva e convívio social melhoram o humor, ajudam a controlar sintomas de comportamento e favorecem a evolução da doença. Caminhadas, música que a pessoa sempre gostou, álbuns de fotos, tarefas simples de casa e participação em grupos — tudo isso tem valor terapêutico real. E não custa repetir: cuidar de quem cuida não é um detalhe do tratamento, é parte dele; o esgotamento do cuidador é um risco de saúde que merece a mesma atenção que damos ao paciente.

Dá para prevenir o Alzheimer?

Estima-se que quase metade dos casos de demência no mundo poderia ser evitada ou adiada com o controle de fatores de risco modificáveis ao longo da vida. Ou seja: boa parte do risco está, sim, em nossas mãos. Os principais fatores sobre os quais podemos agir incluem:

  • Controlar pressão alta, diabetes e colesterol
  • Não fumar e moderar o álcool
  • Atividade física regular — melhora a cognição, o sono e a circulação cerebral.
  • Estímulo intelectual e social — ler, aprender coisas novas, manter vida social ativa.
  • Tratar a depressão
  • Cuidar da audição e da visão (perdas auditiva e visual não corrigidas aumentam o risco)
  • Sono de qualidade e tratamento da apneia do sono; a educação ao longo da vida também protege.

Conclusão

A Doença de Alzheimer é séria, mas não é sinônimo de abandono ou de fim de vida. Com diagnóstico precoce, tratamento correto e uma equipe cuidando em conjunto, é possível viver melhor e por mais tempo com autonomia e dignidade — e apoiar quem cuida.

Se você reconheceu, em si ou em alguém querido, sinais que passaram a atrapalhar a rotina, não espere: procure avaliação com um neurologista. Boa parte das famílias demora dois a três anos para buscar ajuda, muitas vezes confundindo os sintomas com “envelhecimento normal”. Esse tempo perdido faz diferença.

A memória é parte de quem somos. Cuidar dela cedo é um dos maiores atos de cuidado que podemos ter com as pessoas que amamos.

Precisando de ajuda para tratamento de esquecimentos/demência?

Demência tem tratamento e eu posso ajudar nesse processo! Sou o Dr. João Pedro, médico neurologista, realizo atendimentos de doenças neurológicas em adultos e idosos, incluindo problemas de sono, epilepsia, tremores, dores crônicas, acidente vascular cerebral (derrame) dentre outras condições. Busco realizar um atendimento individualizado e com uma visão abrangente, acolhendo as queixas e dedicando o tempo necessário para escuta ativa, exame clínico e orientações necessárias.

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