O que é enxaqueca?

A enxaqueca é uma doença neurológica complexa que vai muito além da dor de cabeça (cefaleia). Segundo o estudo Global Burden of Disease 2021, cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo vivem com enxaqueca. Ela é uma das maiores causas de anos vividos com incapacidade no planeta e, de forma marcante, é a principal causa de incapacidade entre mulheres jovens — atinge cerca de 2 a 3 vezes mais mulheres do que homens, sobretudo na faixa dos 15 aos 49 anos, justamente o auge da vida produtiva e familiar.
Durante décadas, ensinou-se que enxaqueca era um problema dos vasos sanguíneos do cérebro — eles dilatavam e isso doía. Essa “teoria vascular” caiu. Hoje, com base em estudos de neuroimagem funcional e modelos experimentais entende-se a enxaqueca como um distúrbio primariamente neural: um cérebro que processa estímulos sensoriais, emocionais e até sinais internos do corpo (fome, sede, sono) de um jeito diferente, e que, em pessoas geneticamente predispostas, dispara crises recorrentes.
Qual é o médico que trata dor de cabeça?
O neurologista é o médico capacitado para tratamento da enxaqueca e outras dores de cabeça.

O Dr. João Pedro é médico neurologista e trata pacientes com insônia em Aracaju e Lagarto. Possui residência em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE) e é membro efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Possui mais de 140 avaliações nota máxima no Google, como alguns exemplos abaixo:




Como posso saber se tenho enxaqueca?

O diagnóstico de enxaqueca é essencialmente clínico e depende de uma avaliação detalhada realizada pelo neurologista. A doença possui 4 fases bem definidas, a saber:
Fase premonitória (ou pródromo).

Pode começar de algumas horas até cerca de 48 horas antes da dor. São sinais sutis que o cérebro já está “ligando o motor”:
- Bocejos repetidos
- Vontade de comer doce ou um alimento específico
- Irritabilidade ou euforia
- Dificuldade de concentração
- Sede frequente
- Vontade frequente de urinar
- Sensibilidade à luz e ao som
- Aquela dor/tensão no pescoço.
Aura

Acontece em uma parte das pessoas com enxaqueca (não em todas). São sintomas neurológicos transitórios e totalmente reversíveis, mais comumente visuais: pontos luminosos, linhas em ziguezague brilhantes, uma mancha que cresce e atrapalha a visão. Pode haver também formigamento que “caminha” por um lado do corpo ou dificuldade momentânea para falar. O traço típico da aura é ser gradual (instala-se em minutos) e durar geralmente de 5 a 60 minutos.
Fase de dor (cefaleia)

A dor clássica é descrita da seguinte maneira:
- Unilateral (ocorre de um lado da cabeça)
- Latejante/pulsátil (parecendo “um coração batendo na cabeça”)
- Moderada a forte intensidade
- Piora com esforço (subir escada, abaixar)
- Duração de 4 a 72 horas (habitualmente)
- Acompanhada de náusea e/ou vômitos, com intolerância marcante à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia)
Pós-dromo (“ressaca da enxaqueca”).

Depois que a dor passa, muita gente fica um dia com cansaço, raciocínio lento, sensação de vazio ou de leve euforia. É real e faz parte da doença.
Quais fatores ocasionam as crises de enxaqueca?
A enxaqueca possui uma etiologia multifatorial, ou seja, conta com fatores genéticos e ambientais. Nesse sentido, é relativamente frequente que mais de uma pessoa na mesma família tenha enxaqueca; além disso, existem diversos gatilhos para as crises de dor, como os seguintes:
- Alterações do sono (dormir pouco — ou demais).
- Jejum ou pular refeições (por isso são desaconselhadas dietas restritivas radicais)
- Estresse
- Variações hormonais, especialmente a queda de estrogênio no período menstrual
- Desidratação e consumo de álcool (o vinho tinto é um suspeito habitual).
- Estímulos sensoriais intensos: luzes piscantes, cheiros fortes, calor.
- Cafeína (tanto o excesso quanto a abstinência)
Como é realizado o diagnóstico da enxaqueca?
Existem vários tipos de dor de cabeça, sendo a enxaqueca uma delas. Tal diagnóstico possui critérios bem definidos que devem ser constatados por meio de uma avaliação neurológica direcionada. Nesse sentido, o diagnóstico da enxaqueca é algo realizado clinicamente, ou seja, sem necessidade de exames complementares. Entretanto, caso exista alguma suspeita de outros diagnósticos por conta de sinais de alerta, a neuroimagem deve ser realizada, como nas seguintes situações:
- Dor de cabeça que surge de forma explosiva e atinge o pico em segundos (“a pior da vida” / chamamos de dor em trovoada e necessita de imagem precoce)
- Dor nova após os 50 anos: o que vemos corriqueiramente são pessoas que têm enxaqueca desde a infância ou adolescência, que nunca foram tratadas corretamente e a dor persiste até fases avançadas da vida. Entretanto, quando essa dor nunca existiu e surge a partir da faixa etária em questão, devemos considerar outros diagnósticos
- Piora progressiva e diferente do padrão habitual: a dor de cabeça segue um padrão bem estabelecido que é praticamente igual em todas as crises. Quando a dor passa a piorar e com mudança de características em relação ao que o paciente conhecia, temos aí um sinal de alerta
- Febre, rigidez de nuca ou alterações neurológicas focais: podem indicar, dentre outras causas, infecções do sistema nervoso central
- Dor desencadeada por esforço ou tosse
- Cefaleia em quem tem câncer ou imunidade comprometida (ex: aqueles que usam imunossupressores / portadores de HIV).
Diante de qualquer um desses, a regra é procurar avaliação médica sem demora.
Como é realizado o tratamento da enxaqueca?
Existem 2 tipos de tratamento: a terapia farmacológica e não farmacológica.
Tratamento farmacológico

Pode ser dividido em tratamento de fase aguda (terapia imediata, controle da dor enquanto ela ocorre) e tratamento preventivo/profilático (aquele direcionado a evitar que a dor aconteça).
No tratamento de fase aguda podem ser utilizados analgésicos simples, antinflamatórios e triptanos. A escolha é individual e deve ser feita com seu médico, considerando intensidade das crises, doenças associadas e tolerância. Não há um remédio “melhor para todos”.
É importante saber que tomar analgésicos com frequência exagerada pode, paradoxalmente, transformar uma enxaqueca episódica em uma dor quase diária. É quando além de ter enxaqueca, passamos a ter a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos – essa entidade clínica tende a ocorrer quando o uso ocorre da seguinte maneira:
- 10 ou mais dias por mês, no caso de triptanas, ergotamínicos, opioides ou analgésicos combinados; ou
- 15 ou mais dias por mês, no caso de analgésicos simples (ex: anti-inflamatórios)
A boa notícia é que essa dor costuma melhorar quando o medicamento em excesso é retirado, idealmente com acompanhamento profissional. Por isso, se você se pega tomando remédio para dor de cabeça quase toda semana, isso não é sinal para tomar mais — é sinal vermelho para procurar um médico e reorganizar o tratamento.

Quando as crises são frequentes ou muito incapacitantes — ou quando o uso de remédio agudo está escalando —, entra o tratamento preventivo, tomado diariamente (ou em intervalos regulares) mesmo sem dor, para reduzir a frequência, a intensidade e a duração das crises. A meta realista não é “zerar” a enxaqueca, e sim diminuí-la de forma significativa (uma redução em torno de 50% já é considerada um bom resultado), devolvendo qualidade de vida.
Existem várias classes medicamentosas, muitas delas de outras áreas da medicina que posteriormente se demonstraram eficazes para o controle da enxaqueca, como:
- Anti-hipertensivos
- Antidepressivos
- Antiepilépticos
- Toxina botulínica: opção consagrada para a enxaqueca crônica (15 ou mais dias de dor por mês).
- Terapias anti-CGRP
A enxaqueca costuma vir acompanhada por outros problemas de saúde, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dor cervical – tratá-los melhora o conjunto da obra. Nesse contexto, entender os problemas associados à dor são essenciais para escolher o melhor medicamento para o seu caso. Por conta disso, deixe bem claro para o seu médico como está sua saúde como um todo para que ele possa garantir melhores resultados.
Tratamento não farmacológico

A melhora da enxaqueca não acontece do dia para a noite e também não é baseada exclusivamente em remédios. Mudanças do estilo de vida e reabilitação multidisciplinar podem favorecer a melhora clínica global. Nesse sentido, seguem algumas dicas que podem ajudar nesse processo.
Regularidade: Um cérebro com enxaqueca gosta de previsibilidade: horários estáveis de sono, refeições sem grandes jejuns, boa hidratação e atividade física regular (o exercício aeróbico tem evidência de ajudar na prevenção).
Diário de crises. Anotar frequência, duração, possíveis fatores e resposta aos remédios ajuda a enxergar padrões reais e a medir se o tratamento está funcionando.
Manejo do estresse e terapias comportamentais. Técnicas como terapia cognitivo-comportamental (acompanhamento psicológico), biofeedback, fisioterapia e acupuntura podem ajudar como terapias complementares.
Ter paciência com o processo: a enxaqueca é uma doença multifatorial. Reforço aqui que o objetivo principal deve ter sempre como base metas realistas – nesse sentido, mesmo que não haja uma cura definitiva, reduzir a frequência e a intensidade das crises é a base para a melhoraria da qualidade de vida.
Precisando de ajuda para tratamento de sua dor de cabeça?

Sua dor de cabeça tem tratamento e eu posso ajudar nesse processo! Sou o Dr. João Pedro, médico neurologista, realizo atendimentos de doenças neurológicas em adolescentes, adultos e idosos, incluindo problemas de sono, epilepsia, demências/esquecimentos, tremores, dores crônicas (enxaqueca e outras dores), acidente vascular cerebral (derrame) dentre outras condições. Busco realizar um atendimento individualizado e com uma visão abrangente, acolhendo as queixas e dedicando o tempo necessário para escuta ativa, exame clínico e orientações necessárias.
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