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Dr. João Pedro – Neurologista em Aracaju – SE

O que é epilepsia?

Epilepsia

A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais frequentes do planeta. Cerca de 50 milhões de pessoas no mundo convivem com epilepsia, podendo estar presente em todos os grupos etários (de crianças a idosos).

É importante entender qual a diferença entre crise epiléptica (“convulsão”) e epilepsia. Nosso cérebro é formado por uma rede extensa de neurônios (cerca de 86 bilhões) que se conectam entre si por meio de sinapses nervosas. A crise convulsiva/epiléptica seria o curto-circuito dessa “fiação”, ou seja, corresponde a uma atividade elétrica anormal, excessiva ou sincronizada desses neurônios. Por sua vez, a epilepsia é uma condição crônica caracterizada pela predisposição persistente do cérebro a gerar essas crises.

Qual é o médico que trata epilepsia?

O neurologista é o médico capacitado para tratamento da epilepsia.

Epilepsia

O Dr. João Pedro é médico neurologista e trata pacientes com epilepsia em Aracaju e Lagarto. Possui residência em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE) e é membro efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Possui mais de 140 avaliações nota máxima no Google, como alguns exemplos abaixo:

Como posso saber se tenho epilepsia?

Essa talvez seja a parte que mais gera ansiedade. A boa notícia é que o diagnóstico é, antes de tudo, clínico. O instrumento mais poderoso no consultório não é uma máquina, mas sim a história contada pelo paciente e por quem presenciou a crise.

Epilepsia

Além de informações obtidas na anamnese, avaliações complementares também podem ajudar. Nesse sentido, habitualmente solicitamos eletroencefalograma para rastrear atividade epileptiforme e ressonância magnética de crânio visando descartar alterações estruturais, como esclerose mesial temporal, tumores, sangramentos, abscessos dentre outros achados.

Epilepsia

Segundo a definição oficial adotada internacionalmente, considera-se que uma pessoa tem epilepsia quando preenche ao menos um destes critérios:

  • Pelo menos duas crises não provocadas (ou reflexas) separadas por mais de 24 horas;
  • Uma única crise não provocada, mas com risco de recorrência estimado em pelo menos 60% nos próximos 10 anos — por exemplo, com alterações no eletroencefalograma (EEG) ou lesão cerebral visível em exame de imagem;
  • O diagnóstico de uma síndrome epiléptica específica.

Quando dizemos que a crise deve ser não provocada para fechar o diagnóstico de epilepsia, significa que os episódios não devem ter um fator desencadeante claro. Caso esse fator causal seja evidente, estamos diante de uma crise sintomática aguda, ou seja, um evento que tende a ser passageiro, costumando não voltar mais na medida em que o problema é resolvido

Vamos a alguns exemplos clássicos de causas para crise sintomática aguda:

  • Alterações metabólicas: (elevação ou queda do sódio, hiperglicemia, hipoglicemia, problemas hepáticos ou renais descompensados)
  • Intoxicações exógenas (abuso de drogas)
  • Infecções (sepse, meningites)
  • Traumatismo cranioencefálico (TCE)
  • Hemorragia cerebral etc

Quando diante de um crise sintomática aguda, o uso de medicamentos anticrise costuma ser restrito a um curto período. Entretanto, a depender da causa, parte dos pacientes pode evoluir com lesões cerebrais irreversíveis (ex: TCE grave), o que pode aumentar a chance de crises epilépticas de uma maneira persistente. Nessas situações, pode ser necessário utilizar medicamentos direcionados no longo prazo

Sabe-se também que ter uma única crise na vida não significa ter epilepsia. Aliás, isso é mais comum do que se imagina: estima-se que até 10% das pessoas no mundo terão uma crise ao longo da vida, sem que isso configure a doença.

Quais são os tipos de crises epilépticas?

Existem dois grandes grupos de crises epilépticas: crises focais e generalizadas.

Crises focais

Podem ser caracterizadas por diversas alterações a depender da região cerebral afetada. Classificadas como aquelas com perda de consciência (disperceptiva, paciente não lembra como foi) ou sem perda de consciência (perceptiva, paciente sabe dizer o que ocorreu). Alguns exemplos de fenômenos epilépticos de características focais são:

– Dormências e parestesias transitórias em braços ou pernas em um lado do corpo

– Alucinações visuais (imagens coloridas ou perdas do campo visual)

– Ilusões visuais (ver objetos maiores ou menores do que realmente são)

– Parada comportamental (deixa de responder ao estímulos externos, popularmente chamado de “crise de ausência”)

– Tremor palpebral

– Automatismos orais (movimentos mastigatórios) ou manuais (comportamento de busca de objetos sem utilizá-los de maneira adequada)

– Sintomas autonômicos (suor excessivo, palpitação)

Crises generalizadas

São aquelas mais conhecidas pela população geral. Podem ser não-motoras (crises de ausência verdadeiras) ou motoras (a exemplo das crises tônico-clônicas generalizadas, nas quais ocorrem abalos e enrijecimento de todo o corpo com perda de consciência, podendo estar acompanhadas por mordedura de língua, perda de urina ou fezes e salivação excessiva)

Epilepsia

É importante saber que várias condições imitam crises epilépticas e precisam ser descartadas:

– Síncope (desmaio / geralmente associado a problemas cardiológicos)

– Enxaqueca

– Amnésia global transitória

– Distúrbios do sono (narcolepsia, terror noturno, transtorno comportamental do sono REM etc)

– Crises de pânico

– Ataques isquêmicos transitórios

– Crises não epilépticas de origem psicogênica dentre outros diagnósticos

Como é realizado o tratamento da epilepsia?

A epilepsia é um condição crônica que não tem cura, mas tem um excelente controle. Cerca 70% das pessoas com epilepsia podem viver livres de crises com diagnóstico e tratamento adequados.

Temos uma diversidade de opções medicamentosas que são selecionadas de acordo com o tipo de crise, comorbidades e tolerância do paciente. Não é qualquer medicamento que pode ser usado por todos os perfis de paciente e escolhas inadequadas podem aumentar a chance de efeitos colaterais e menor controle de crises.

Por conta disso, torna-se imprescindível contar com um neurologista para analisar cada caso individualmente. Uma pequena parcela desses casos é refratária, ou seja, não respondem aos medicamentos tradicionais mesmo combinados. Por conta disso, outras opções podem ser indicadas para esse grupo, como as seguintes:

  • Cirurgia: em pacientes selecionados, sobretudo na epilepsia do lobo temporal por esclerose hipocampal. Esse tratamento é consagrado e pode ter risco baixo de sequelas quando bem indicado.
  • Neuromodulação: técnicas como o estimulador do nervo vago (VNS), a estimulação cerebral profunda (DBS) e a neuroestimulação responsiva (RNS) podem ajudar nesse controle.
  • Dieta cetogênica: longe de ser modismo, é um tratamento médico sério — rica em gorduras, pobre em carboidratos, conduzida por neurologista e nutricionista. É especialmente indicada em epilepsias de difícil controle e é considerada primeira linha em condições raras como a deficiência do transportador GLUT-1.
  • Canabidiol (CBD): deve-se ter bastante cautela no uso do CBD. Isso porque atualmente existem diversas condições para as quais vemos pacientes utilizando tal medicamento, porém sem um claro benefício. Nesse contexto, cabe salientar que o uso do canabidiol possui evidência científica comprovada especificamente para 3 síndromes epilépticas: síndromes de Dravet, Lennox-Gastaut e na esclerose tuberosa.

Como posso ajudar um paciente durante uma crise convulsiva?

Epilepsia

A Associação Brasileira de Epilepsia e a Liga Brasileira de Epilepsia criaram o Protocolo CALMA, que resume bem a conduta diante de uma crise convulsiva. Vamos entender melhor esse acrônimo.

C: Coloque a pessoa de lado para que ela não se sufoque com a saliva

A: Apoie a cabeça em algo macio

L: Localize e afaste objetos que possam machucar

M: Monitore o tempo

A: Ambulância (ligue para o SAMU, se a crise durar mais que 5 minutos ou se houver outra crise logo em seguida)

Em resumo, proteja o paciente do que pode machucá-lo e mantenha-o acolhido ao seu lado. Tão importante quanto saber o que fazer é também o que NÃO fazer. Dessa maneira:

  • Não coloque a mão, colher ou qualquer objeto na boca da pessoa. Engolir a língua é mito; o que você vai conseguir é quebrar dentes ou machucar a si mesmo.
  • Não segure ou imobilize a pessoa à força durante os movimentos.
  • Não jogue água nem tente “acordá-la”.
  • Não ofereça comida ou bebida logo após a crise.

Principais dúvidas sobre epilepsia

Epilepsia é algo contagioso?

Não! A epilepsia não é loucura, não é contagiosa, não é castigo e, na grande maioria dos casos, é controlável. Corresponde a um problema de saúde como qualquer outro, como pressão alta ou diabetes. Portanto, necessita de acompanhamento e, acima de tudo, respeito com aqueles que convivem com tal condição.

Meu eletroencefalograma (EEG) veio normal, então não tenho epilepsia?

Errado. um EEG normal não exclui epilepsia, e quando alterado, não fecha o diagnóstico sem o quadro clínico correspondente. Ou seja, mais importante que os achados do exame são as informações obtidas com paciente e especialmente acompanhantes (já que em boa parte das crises os envolvidos perdem a consciência e não conseguem dar os detalhes necessários ao diagnóstico).

Epilepsia mata?

As crises podem trazer riscos à saúde do indivíduo já que, quando não tratadas, podem ocorrer em qualquer momento, especialmente em situações de maior estresse físico, como jejum prolongado ou privação excessiva do sono. Entretanto sim, existe um risco de morte por epilepsia, e esse risco está associado ao tipo de crises (geralmente crises generalizadas são mais perigosas) e tempo das crises (quanto maior o tempo desses eventos, especialmente se maior que 5 minutos, maiores os riscos)

Recebi o diagnóstico de epilepsia, estou proibido de dirigir?

Depende. É importante observar que ter uma crise em casa é uma situação, ter uma crise enquanto se está no volante é outra completamente diferente, que pode culminar em grandes riscos para si e para outras pessoas. Nesse sentido, é possível dirigir desde que as crises estejam bem controladas por um período determinado e com avaliação clínica favorável. Não se trata de uma sentença, mas de bom senso e segurança. Fale com seu médico neurologista para poder avaliar essa possibilidade, tudo deve ser conversado e compartilhado.

Possui epilepsia ou já apresentou crise convulsiva?

Sua epilepsia tem tratamento e eu posso ajudar nesse processo! Sou o Dr. João Pedro, médico neurologista, realizo atendimentos de doenças neurológicas em adolescentes, adultos e idosos, incluindo problemas de sono, epilepsia, demências/esquecimentos, tremores, dores crônicas, acidente vascular cerebral (derrame) dentre outras condições. Busco realizar um atendimento individualizado e com uma visão abrangente, acolhendo as queixas e dedicando o tempo necessário para escuta ativa, exame clínico e orientações necessárias.

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